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Minha história de amor com as coisas esquecidas

Sabe, eu tenho o coração mole… É verdade. Desde criança, sempre queria ajudar todos, queria mudar o rumo das coisas que eram injustas, não conseguia superar algo bonito (pra mim) se perdendo. As coisas pra mim sempre tiveram um valor muito grande, quase tudo. Uma mania estranha de dar sentimentos a coisas inanimadas. A dificuldade de se desfazer de uma calça que já não servia mais há muito tempo. A dificuldade de jogar fora a canetinha que não tinha mais cor.  Eu pensava, coitada da calça, ela viveu aventuras tão maravilhosas comigo, vai se sentir esquecida e abandonada se eu não usar mais ela. Então eu saia em pleno inverno com as canelas de fora. Coitada da canetinha, ela não tem mais cor, deve estar se sentindo arrasada porque a missão dela de vida era colorir desenhos. Nessa lógica eu não queria me desfazer de nada e assim fui acumulando cada vez mais “cacarecos”. Foi assim que começou a saga de perder as coisas pelo caminho, em mudanças, na casa de amigos e ne...

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